Recentemente uma discussão tomou conta da internet, quando a Abracomtáxi protocolou um pedido de fiscalização aos aplicativos na Receita Federal em Brasília, o que teoricamente, prejudica os motoristas de táxis que trabalham com app's, que segundo eles, fazem concorrência desleal com as cooperativas.
Fazer a coisa certa, pelo motivo errado, foi a falha desta ação, pois não souberam explicar até hoje o porquê de querer influenciar o pagamento de impostos que até então os colegas são isentos ou sonegam. Não podemos incentivar a ilegalidade da sonegação, mas é preciso explicar como as coisas funcionam.
Muitos taxistas enchem a boca para dizer que pagam impostos, e isso é mentira! A maioria dos taxistas pagam apenas taxas, como a de R$ 37,50 do Ipem/inmetro, R$ 72,00 da vistoria da SMTR, R$ 266,00 de seguro obrigatório DPVAT e cerca de R$ 120,00 da homologação do GNV. Isso nunca foi imposto, se disser isso a quem realmente paga, R$ 500,00 de taxas é "café pequeno".
Já os taxistas de cooperativas, tem de recolher Imposto de Renda na fonte, pagam mais 2% de ISS (imposto sobre serviços), No passado, esse imposto aqui no RIO, tinha uma alíquota de 5%, porém não era tributado, pois muitos não emitiam notas, agora com a nota carioca, toda corrida de empresas são taxadas.
Outros impostos, como IPI/ICMS na compra de carro, pis/cofins também são isentos, aliás, essa é a principal conquista da Abracomtáxi.
APLICATIVOS SÃO VENDÁVEIS
O maior risco para o sistema de táxis que os aplicativos representam, não é acabar com as cooperativas e cargos de presidentes e diretores que não abrem mão da sua função, nem para diminuir o custo da mesma e torná-la competitiva, o risco está no fato delas serem vendáveis.
Ao utilizar o aplicativo, o taxista fornece o que há de mais precioso, a carteira de clientes.
Um caso bastante conhecido foi a da Central das Cooperativas do Rio de Janeiro, que abriu as portas e entregou seus contratos nas mãos da empresa Wappa, que praticamente "quebrou" a cooperativa.
App's como o Easy táxi e o 99 táxis, são muito populares, porém é preciso ter noção que eles podem ser adquiridos pelo Uber por exemplo.
O fundo de investimento que financia o Easy, é o mesmo que criou o Tripda, concorrente do Uber.
Hoje eles são de graça, alguns cobram de 6 a 9% nas corridas feitas no voucher eletrônicos e cartões, o que para quem era de uma cooperativa, é uma mixaria!
Não existe almoço grátis, infelizmente entregamos o nosso maior patrimônio, o cadastro de passageiros.
COOPERATIVAS SÃO NOSSAS, E NÃO PODEM SER VENDIDAS
As cooperativas são dos cooperativados. Apesar de óbvio, não é isso que a maioria considera.
O que mais ouço, são críticas a este sistema que hoje é pesado e oneroso.
Os taxistas abandonam as cooperativas a fim de se livrar dos altos custos que elas geram, sem se preocupar com o futuro.
Nos anos 90, as cooperativas se fortaleceram e decentralizaram o sindicato, criando estruturas sociais para suprir as necessidades dos seus sócios, como reboque, plano de saúde, advogado e principalmente, se apoderando de espaços públicos, chamando pontos livres de "seus".
Outro fator, foi que havia muita insegurança, tanto para os passageiros, quanto aos taxistas.
Cadastrar os passageiros e usar taxistas cadastrados em uma estrutura, gerava confiança e segurança para ambos.
O tempo passou, as necessidades mudaram, as estruturas ficaram cada vez mais caras e o sentimento daqueles fundadores de que haviam feito algo próprio, criado a sua empresa, sumiu, dando lugar a pessoas preocupadas apenas em ganhar dinheiro, usando como critério o número de corridas que aquela cooperativa tinha a oferecer.
Hoje, o que resolveria e seria muito útil, seria as cooperativas se juntassem, e formassem uma única cooperativa, usando o mesmo sistema, criando um APP próprio, como opção de adesão de novos associados.
NÃO SE VENCE UMA CRISE SEM SACRIFÍCIOS
Um líder, um presidente de entidade coletiva tem de estar preparado para o sacrifício, e neste momento, abrir mão de suas regalias e salários, seria a decisão mais acertada a fazer.
Como concorrer contra gigantes com mais de 20.000 taxistas cadastrados?
Porque não juntar os quadros sociais e formar chapas entre os presidentes e deixar a coletividade decidir quem vai gerencia uma mega estrutura?
Será que teríamos alguém capaz de fazer isso? mandatos de 01 ano, estruturas simples, como as das empresas concorrentes.
Os aplicativos crescem e tomam o mercado, porque não precisam muito mais do que umas salas de computador, um servidor e equipes de rua atuando junto ao taxista.
Talvez essa colocação seja apenas a opinião de um leigo, mas é o pensamento lógico de centenas de colegas que já se manifestaram assim.
Fora os casos de arrogância e prepotência de certos presidentes, que dão nítida demonstração de incompetência, e assumem cargos por falta de concorrência, na teoria do Tiririca, "pior que tá, não fica", mas infelizmente pode ficar.
Um dia talvez acordemos do sono da ignorância, e aí, tomara que não seja tarde demais.



